Conheça a Zube, marca que une identidade e tem conquistado famosos

Idealizada pelo estilista Berg Tavares, a grife tem se destacado pelas peças com características únicas e que carregam a cultura do nordeste

Os antenados no universo da moda provavelmente já se depararam com criações da Zube, em diferentes ocasiões, nas redes sociais. A marca, idealizada por Berg Tavares, tem conquistado espaço no guarda-roupa de nomes conhecidos como José Loreto, André Di Paula, João Gomes e o apresentador e consultor de imagem Arlindo Grung.
Nascido em Banzaê, a 320 km de Salvador, na Bahia, o estilista conta que a marca surgiu em 2021, em plena pandemia da Covid-19, com a proposta de unir identidade brasileira e estilo contemporâneo. Segundo Berg, a grife, que tem se consolidado cada vez mais no mercado brasileiro e resgata a identidade do povo nordestino, que se reflete em cada peça, seja nos bordados ou nas pinturas que carregam signos característicos da região brasileira.
“Por muitos anos, trabalhei na indústria da moda com produção em alta escala. Isso já me incomodava por algumas questões que vivenciei na rotina do trabalho. Foi nesse momento que soube o que queria fazer: criar uma marca que não olhasse somente para os números, mas que carregasse uma história. Que fosse para durar, e não uma peça de estação”, ressaltou em entrevista exclusiva para Glowmag.
Mais do que criar roupas, Berg busca transformar cada criação em uma narrativa sobre suas origens. Inspirados pela estética e tradições nordestinas, os looks da Zube carregam elementos que celebram a cultura popular e reforçam a moda como ferramenta de memória e identidade.
“Vejo as peças como uma tela, mas digo também que as vejo, principalmente, no momento criativo, como um livro de cordel. Então, quero que a pessoa vestida numa belezura saiba que está carregando uma história”, afirmou.
Confira a entrevista completa:

GLOWMAG: Conte de maneira resumida a sua história. Como a Zube nasceu?
BERG TAVARES: A Zube nasceu no período da pandemia. Mas o desejo de ter a própria marca já me acompanhava de anos antes. Trabalhando em private labels, onde assumi alguns cargos, tive contato com uma gama de marcas de grande relevância no mercado. Esse período semeou o desejo em mim e me deu know-how. Desde o primeiro momento, imaginei uma marca que tivesse em seu DNA as minhas raízes. Inicialmente, a Zube nasce trazendo peças com estampas exclusivas. Mas foi na pandemia que olhei, com os olhos cheios de saudades, para minha terra. E o bordado veio como um resgate e uma afirmação do nordestino, do sertão baiano, que sou. É uma declaração de amor.
GM: Sua moda é marcada por peças desenhadas, pintadas e bordadas à mão. Como surgiu a decisão de transformar os signos do Nordeste em protagonista da marca?
BT: Na verdade, a Zube traz os signos, principalmente, do pedaço nordestino em que cresci. Desde o princípio olhei para as peças como “arte que se veste”. Queria mostrar esse sertão por meio dessas duas técnicas: pintura e bordado.
A criação parte do olhar daquele menino que vivia na roça, subindo em cajueiros e mangueiras. Daquele menino que tomava banho na lagoa com os amigos e ouvia as prosas aventureiras do seu avô no tabuleiro. Daquele menino que viveu inserido dentro da cultura profana e religiosa.
GM: O Brasil aparece de forma muito forte em suas criações. Quais elementos da cultura brasileira mais inspiram seu processo criativo?
BT: O cotidiano da vida rural dos “sertões”. Os costumes e as crenças. A flora e fauna da Caatinga.
GM: Em um mercado dominado pela produção em larga escala, qual é o valor de criar peças que carregam horas de trabalho manual?
BT: Por muitos anos, trabalhei na indústria da moda com produção em alta escala. Isso já me incomodava por algumas questões que vivenciei na rotina do trabalho. Pensando bem, foi nesse momento que soube o que queria fazer: criar uma marca que não olhasse somente para os números, mas que carregasse uma história. Que fosse para durar, e não uma peça de estação. Partindo desse pensamento, acredito que o maior valor do trabalho manual está na afirmação da identidade. Ele é uma extensão do artista; por isso digo: “quando alguém veste, a história continua”.
GM: Vestir artistas e personalidades conhecidas mudou a trajetória da sua marca? Qual foi o momento em que você percebeu que seu trabalho estava ganhando projeção nacional?
BT: Claro que vestir artistas pode trazer visibilidade para uma marca. Eu, como criador da Zube, me alegro muito pelo momento que a marca está vivendo, pois são anos de labuta. Mas confesso que, até esse momento em que lhe concedo essa entrevista, a visibilidade que a marca tem hoje, na maior parte, veio dela mesma. E isso me orgulha muito. Muito mesmo!

GM: Quando uma artista escolhe uma de suas peças para um momento importante da carreira, o que passa pela sua cabeça?
BT: Paz. A Zube aconteceu no pior momento da minha vida. No momento em que a esperança se esvaziou do meu coração e o cansaço da longa caminhada me fez ajoelhar. Ajoelhado, na última gota de coragem que habitava em mim, orei para Deus. No mesmo dia postei um vídeo bem curto e, no dia seguinte, o vídeo viralizou. Consegui fazer a venda das primeiras peças da Zube como ela é hoje. Então, é nisso que penso, ou melhor, sinto: paz. E digo pro mundo que a Zube é bênção e permissão de Deus.
GM: Muitas de suas peças parecem contar histórias. O que você busca transmitir para quem veste suas criações?
BT: Vejo as peças como uma tela, mas digo também que as vejo, principalmente no momento criativo, como um livro de cordel. Então, quero que a pessoa vestida numa belezura saiba que está carregando uma história. Pertencimento.
GM: Como você enxerga o papel da moda brasileira no cenário internacional e o que ainda falta para que ela seja mais valorizada fora do país?
BT: De onde estou, prefiro olhar para dentro de casa. Acredito que ainda temos que caminhar bastante na busca da valorização dos criativos. Muitos olhares enxergam o trabalho artesanal de forma subestimada, como se o profissional artesão fosse o coitadinho que precisa tirar um dinheirinho com seu trabalho. Somos profissionais que dedicamos tempo e saberes ancestrais para executar uma obra ou um produto. O que me deixa feliz é que tenho visto algumas movimentações importantes e positivas na busca dessa valorização. Cito a plataforma ‘Nordestesse', dirigida pela Daniela Falcão, que vem dando visibilidade para os criativos nordestinos e inserindo-os no mercado.
GM: Em tempos de tendências que surgem e desaparecem rapidamente nas redes sociais, como manter a autenticidade e a identidade artesanal da sua marca sem abrir mão da inovação?
BT: Inovar é preciso para a saúde de uma empresa. No caso da Zube, a inovação acontece na busca constante por criar novas narrativas a partir das minhas memórias, na criação de novos modelos, o que, nesse momento, já está em desenvolvimento com o modelista, e na introdução de outras técnicas tradicionais da cultura do feito à mão nordestino.
Porém, uma marca como a Zube, carregada de identidade, não deve, nem por um instante, se preocupar com tendências. Não faço moda de estações, faço moda para ser vestida e apreciada em qualquer tempo.




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