Grace Gianoukas: "Superei muitos limites" ao viver Dercy Gonçalves
- Raphaela Cunha

- 16 de jul.
- 3 min de leitura
Em conversa exclusiva com a GlowMag, a atriz falou sobre a temporada final da peça, reconhecimento da carreira e ainda revelou detalhes de novo projeto na TV. “Estou sendo consultada para um trabalho”

Grace Gianoukas escolheu o palco do Teatro Itália, em São Paulo, – onde estreou – para encerrar a temporada de “Nasci pra ser Dercy”, um monólogo que homenageia Dercy Gonçalves, revisitando a trajetória de uma das artistas mais transgressoras e influentes da cultura brasileira. No espetáculo escrito e dirigido por Kiko Rieser, a atriz interpreta uma Dercy muito além da imagem popular construída ao longo dos anos, revelando ao público facetas pouco conhecidas da vida e da trajetória de uma das maiores artistas da cultura brasileira.
“Ela era uma pessoa muito ousada, com uma personalidade forte, indomável e extremamente criativa. Tinha um raciocínio muito rápido e desenvolveu um estilo e um tempo de comédia que não existiam até então”, ressalta.
A entrega de Grace ao papel transformou a peça em um dos espetáculos mais elogiados da temporada. A também autora e criadora do cultuado projeto Terça Insana, referência no humor brasileiro, conquistou o reconhecimento da crítica e do público, coroado com os prêmios Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e Shell de Melhor Atriz.
“Tentei colocar nessa montagem tudo o que sei e tudo o que aprendi ao longo da minha trajetória. Existia uma responsabilidade enorme em interpretar uma pessoa que todos conhecem. Eu não imito Dercy, mas procuro construir uma interpretação emocional dela”, pontua.
Confira a entrevista completa:

GLOWMAG - Dercy Gonçalves ficou conhecida pelo humor irreverente, mas sua trajetória vai muito além dos palavrões. O que o espetáculo revela sobre essa mulher que o público ainda não conhece?
GRACIE GIANOUKAS - De certa maneira, o espetáculo desconstrói essa imagem muito estereotipada de Dercy, da qual ela soube se aproveitar bastante. Colocaram-na nessa prateleira e, nela, construiu sua carreira com muita esperteza e inteligência. Além de sua genialidade, o espetáculo mostra a garra e o vanguardismo de Dercy. Ela foi realmente uma mulher de vanguarda, que lutou pela liberdade de pensamento e de expressão.
A montagem também apresenta um pouco de sua vida pessoal e de sua infância, para tentarmos entender como se formou uma figura tão forte, original e autêntica. O público pode conhecer melhor o que existe por trás dessa personagem e descobrir aspectos de sua trajetória que nem todos conhecem, como o enfrentamento à ditadura e a sua preocupação com o povo. São passagens muito importantes de sua história.
GM - Mais do que um ícone do humor, Dercy foi uma mulher à frente do seu tempo. O que fazia dela uma artista tão única e revolucionária?
GG - Dercy Gonçalves era uma pessoa muito ousada, com uma personalidade forte, indomável e extremamente criativa. Tinha um raciocínio muito rápido e desenvolveu um estilo e um tempo de comédia que não existiam até então. Hoje, muitos artistas perseguem esse mesmo tempo de comédia, mas nem sempre dão a ela o devido crédito. Dercy foi realmente uma artista única e muito à frente de seu tempo.
GM - “Nasci pra Ser Dercy” conquistou público, crítica e importantes prêmios, como Shell e APCA. Como você recebe esse reconhecimento depois de tantos anos de carreira?
GG - Para mim, foi uma verdadeira surpresa ter sido indicada a grandes prêmios e, depois de tantos anos de carreira, ter vencido. Fiquei muito surpresa e feliz.
Hoje, com certo distanciamento crítico do espetáculo e ao rever algumas coisas, percebo que tentei colocar nessa montagem tudo o que sei e tudo o que aprendi ao longo da minha trajetória. Existia uma responsabilidade enorme em interpretar uma pessoa que todos conhecem. Eu não imito Dercy, mas procuro construir uma interpretação emocional dela.
Também vejo que superei muitos limites. Por exemplo, eu canto no espetáculo, algo que nunca tinha feito em público. Aprendi muitas coisas novas durante esse processo e coloquei tudo isso na minha interpretação.
Por isso, fiquei muito grata e realmente muito feliz com esse reconhecimento.
GM - Você encerrou recentemente sua participação em “Êta Mundo Melhor!”. Podemos esperar você em mais algum projeto na TV?
GG - Sim, estou sendo consultada para um trabalho no próximo ano, em uma novela. Ainda não posso falar sobre o projeto, mas talvez, no início do primeiro semestre do ano que vem, eu já esteja novamente na televisão. Vamos ver. Só falo depois que assinar o contrato.

Serviço
Onde: Teatro Itália em São Paulo
Quando: Até 26 de julho
Horário: Junho, aos sábados e domingos, às 17h; Julho, aos sábados, às 20h, e domingos, às 19h
Duração: 80 minutos
Classificação indicativa: 16 anos
Ingressos: De R$ 50 a R$ 100



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