Há 25 anos, Cássia Eller fazia história no Rock in Rio com show inesquecível

Cantora abriu o Palco Mundo diante de 190 mil pessoas, surpreendeu com repertório e ainda ganhou elogio de Dave Grohl

Há 25 anos, Cássia Eller subia ao palco do Rock in Rio III para uma das apresentações mais marcantes de sua carreira. No dia 13 de janeiro de 2001, a cantora abriu o Palco Mundo, na Cidade do Rock, no Rio de Janeiro, diante de um público estimado em 190 mil pessoas.
No auge da carreira, Cássia não apenas encarou o desafio, como transformou aqueles 50 minutos em um dos shows mais lembrados da história do festival. Na mesma noite, o público ainda veria apresentações de Fernanda Abreu, Barão Vermelho, Beck, Foo Fighters e R.E.M.
Para a cantora, aquele também era um momento especial. Anos depois, parceiros de palco como a percussionista Lan Lahn relembraram a dimensão daquela apresentação e a coragem de Cássia ao abrir o show apenas com voz e violão, antes de transformar o palco em uma grande celebração musical.
Um show que começou intimista e terminou explosivo
Cássia iniciou a apresentação com “1º de Julho”, da Legião Urbana, em uma abertura mais delicada. Em seguida, passeou por diferentes referências da música brasileira e internacional, mostrando por que sua interpretação era tão difícil de enquadrar em um único estilo.
O repertório passou por Chico Buarque, Nando Reis, Cazuza, Tim Maia, Nação Zumbi, Beatles e Nirvana. “Partido Alto”, “E.C.T.”, “Obrigado (Por Ter Se Mandado)”, “O Segundo Sol” e “Malandragem” estavam entre os destaques.
O show também teve momentos de pura irreverência. Durante “Come Together”, dos Beatles, Cássia levantou a blusa e mostrou os seios para a multidão. O gesto acabou estampando jornais e revistas e se tornou um dos episódios mais lembrados de sua passagem pelo festival.
A atitude, porém, estava longe de ser algo totalmente inesperado para quem acompanhava a trajetória da cantora. Segundo um dos músicos que trabalhavam com Cássia, ela já havia feito aquilo em outras apresentações, e o episódio ganhou uma dimensão ainda maior por ter acontecido diante de uma das maiores plateias de sua carreira.

O repertório improvável de Cássia Eller
Se a atitude no palco já chamava atenção, o setlist escolhido pela cantora também surpreendia. Além dos grandes sucessos, Cássia apostou em versões que revelavam suas influências e sua liberdade artística. O repertório completo daquele dia foi:
1. “1º de Julho”
2. “Partido Alto”
3. “Pra Galera”
4. “E.C.T.”
5. “Obrigado (Por Ter Se Mandado)”
6. “O Segundo Sol”
7. “Faça o Que Quiser Fazer”
8. “Infernal”
9. “Malandragem”
10. “Coroné Antônio Bento”
11. “Come Together / Corpo de Lama”
12. “Quando a Maré Encher”
13. “Smells Like Teen Spirit”
A mistura de estilos era justamente uma das marcas do show. Cássia podia sair de uma música de Nando Reis para Tim Maia, passar por Beatles e terminar com Nirvana sem perder sua própria identidade.
“Smells Like Teen Spirit” virou o grande momento da noite
O encerramento foi reservado para uma escolha que parecia improvável até para Cássia Eller: “Smells Like Teen Spirit”, clássico do Nirvana.A música entrou no repertório a pedido de seu filho, Chico Eller, então com apenas 7 anos. Ele também participou da apresentação tocando percussão, em um momento que mais tarde seria lembrado como sua estreia ao vivo ao lado da mãe.
Com uma interpretação enérgica e cheia de personalidade, Cássia transformou o hit de Kurt Cobain em uma versão própria. O resultado chamou a atenção de ninguém menos que Dave Grohl, ex-baterista do Nirvana e então vocalista do Foo Fighters, que também se apresentaria naquela edição do festival.
Segundo Lan Lahn, Grohl ficou encantado com a interpretação e foi até Cássia para elogiá-la. A percussionista conta que o músico disse que aquela era a versão mais “foda” que já tinha ouvido.
Dave Grohl ganhou bolo e um abraço de Cássia
A história entre os dois ainda teria outro capítulo naquele mesmo Rock in Rio. Dave Grohl completaria 32 anos no dia seguinte ao show de Cássia, em 14 de janeiro. Durante a apresentação do Foo Fighters, sua então namorada, Melissa Auf der Maur, baixista do Hole, entrou no palco com um bolo para comemorar a data.
Foi quando Cássia Eller apareceu de surpresa e correu para abraçar o músico. O momento espontâneo virou uma das cenas mais queridas daquela edição do festival. A ligação com Grohl era ainda mais simbólica porque Cássia havia acabado de cantar um dos maiores clássicos do Nirvana, banda que marcou profundamente a formação musical do artista.

Um dos últimos grandes registros de Cássia Eller
O show do Rock in Rio ganhou ainda mais peso com o passar dos anos. Cássia Eller morreria em 29 de dezembro de 2001, aos 39 anos, menos de um ano depois daquela apresentação.
Em 2006, o registro do show foi lançado em CD e DVD com o título “Rock in Rio: Cássia Eller ao Vivo”. O material transformou aquela noite em um documento permanente de uma artista que estava no auge e ainda tinha muito a dizer.
Em 2024, mais de duas décadas depois, a apresentação completa voltou a ganhar destaque quando foi disponibilizada oficialmente no YouTube pela gravadora MZA Music. A iniciativa permitiu que uma nova geração conhecesse, na íntegra, uma das performances mais emblemáticas de Cássia Eller.
Mais do que um show histórico do Rock in Rio, aquela apresentação registrou Cássia em sua essência: intensa, imprevisível, irreverente e completamente livre para misturar rock, MPB, manguebeat, pop e grunge no mesmo palco.
E, 25 anos depois, a Cidade do Rock ainda lembra daquela mulher que entrou para abrir o festival e acabou roubando a cena.



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