Seguir seus sonhos pode não ser o melhor conselho
- Isabella Cunha

- 17 de abr.
- 2 min de leitura

“Desde cedo somos ensinados a seguir nossos sonhos”, disse a atriz e produtora Reese Witherspoon. De fato, por muito tempo, isso pareceu suficiente.
A ideia de que existe algo que a gente ama fazer e basta “correr atrás” é confortável, quase reconfortante. Mas, em algum momento da vida adulta, a lógica não parece tão simples.
Sonhos são importantes, mas, por natureza, são abstratos.
Sonhos inspiram, mas não sustentam o caminho sozinhos. Reese traz a perspectiva de que, em vez de seguirmos nossos sonhos, talvez devêssemos seguir nossos talentos. Vale a reflexão.
Talento é aquilo que fazemos com consistência. É o que gera valor real, o que as pessoas reconhecem, mesmo quando você não está tentando provar nada. Persegui-lo soa bem mais estratégico, já que talento é observável, pode ser desenvolvido e cria oportunidades.
Contudo, é importante destacar que talento sem repertório limita. Para evoluir, é preciso estudar, treinar, conectar-se com pessoas e conhecer diferentes contextos.
É possível direcionar seu talento para realizar seu sonho?
Entendo que precisamos de maturidade e autoconhecimento para entendermos quais são nossos talentos. E acredito que é possível analisar o guarda-chuva de possibilidades em que seu sonho está inserido para identificar como aquilo que você executa bem pode ser direcionado a seu favor. Exemplifico:
Um dos meus sonhos sempre foi contribuir para diminuir a desigualdade econômica e expandir o acesso a oportunidades entre as pessoas — uma ambição ampla, quase ingênua à primeira vista. Trilho um caminho profissional que me permite lapidar o que eu identifiquei como talento em prol desse sonho e me encontrei no mundo da gestão de projetos sociais: por mais concentrada que uma iniciativa seja, é possível mudar o mundo no território onde ela se desdobra. Assim, de comunidade em comunidade, apoio a redução da desigualdade econômica e promovo a expansão do acesso a oportunidades por meio do meu trabalho, ali no micro mesmo (o que me deixa realizada!).
Talvez a gente não precise escolher entre sonho e realidade
O ponto não é abandonar o que nos move, mas construir a partir do que já sabemos fazer bem. No fim, não é o sonho que sustenta o caminho, mas o que fazemos com ele.
Veja o vídeo completo da Reese:

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