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Beauty burnout: quando a busca pela beleza passa do limite

  • Foto do escritor: Raphaela Cunha
    Raphaela Cunha
  • 20 de mai.
  • 2 min de leitura

Pressão por perfeição, excesso de informação e busca incessante por juventude têm levado pacientes à exaustão estética


A pressão pela perfeição é um dos motivos pelo aumento dos procedimentos estéticos - Wix
A pressão pela perfeição é um dos motivos pelo aumento dos procedimentos estéticos - Wix

A cada dia que passa, surge um novo procedimento estético no mercado com promessas cada vez mais inalcançáveis. Em meio a essas explosões de opções estéticas, os filtros irreais e tendências virais nas redes sociais levantam um alerta aos dermatologistas, que batizaram o fenômeno de beauty burnout, um estado de exaustão (até financeira) causado pela pressão incessante para seguir padrões estéticos irreais.


A dermatologista Carla Vidal conta que o perfil dos pacientes também mudou. Atualmente, as pessoas procuram procedimentos além do rejuvenescimento. “Existe uma geração que nunca esteve tão exposta à própria imagem. As pessoas se analisam o tempo inteiro em selfies, vídeos, chamadas online e redes sociais. Isso cria uma sensação permanente de inadequação e uma necessidade constante de ‘corrigir’ algo”, explica.


Segundo a profissional, o problema não está necessariamente nos procedimentos estéticos, mas na relação emocional criada com eles: “A estética pode, sim, contribuir para autoestima e bem-estar. A preocupação começa quando os procedimentos deixam de ser uma escolha saudável e passam a funcionar como uma tentativa contínua de alcançar uma perfeição inalcançável”.


Bioestimuladores, botox, preenchimentos, lasers... Opções para melhorar a aparência não faltam. No entanto, nem sempre a busca por procedimentos estéticos está ligada apenas ao bem-estar ou autocuidado. Em meio à pressão constante das redes sociais e aos padrões cada vez mais inalcançáveis de beleza, Carla Vidal observa uma cultura de “manutenção infinita” da aparência, especialmente entre mulheres e jovens adultos altamente conectados. “Muitas pacientes chegam ao consultório sem uma queixa real. Elas chegam porque viram algo nas redes, porque alguém comentou sobre envelhecimento preventivo ou porque começaram a comparar o próprio rosto com filtros e imagens editadas”, diz.


Esse comportamento, segundo a médica, pode gerar ansiedade estética, distorção da autoimagem e até perda da individualidade facial. Em contraponto aos excessos dos últimos anos, a dermatologia estética vive agora um movimento importante de valorização da naturalidade. A chamada quiet beauty, a beleza discreta e sofisticada, vem ganhando espaço entre pacientes que desejam uma aparência saudável sem transformações evidentes. “Existe uma mudança clara de comportamento. Hoje, muitas pessoas não querem mais parecer ‘procedimentadas’. Elas querem parecer descansadas, saudáveis e bonitas sem que alguém identifique exatamente o que foi feito”, fala a médica.


Carla explica que qualidade de pele, viço, textura e prevenção saudável passaram a ocupar um espaço mais importante do que mudanças radicais. “A melhor estética é aquela que preserva identidade. O excesso acaba uniformizando os rostos e apagando características individuais”, finaliza.

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