Giselle Prattes sobre carreira: “o que mais me interessa são projetos que me provoquem”
- Raphaela Cunha

- 29 de jun.
- 4 min de leitura
Atualizado: 30 de jun.
Em entrevista à Glowmag, a atriz, que integra o elenco do musical Diana – A Princesa do Povo, fala sobre carreira, maternidade e os desafios de viver Camilla Parker Bowles nos palcos

Antes de interpretar Camilla Parker Bowles no espetáculo “Diana – A Princesa do Povo”, Giselle Prattes já havia construído uma trajetória marcada pela versatilidade. Atriz desde a infância, ela transitou pelo teatro, pela música e pelo audiovisual, conciliando a carreira artística com a formação em Psicologia. Ao longo desse percurso, também viveu transformações pessoais importantes, como a maternidade, que ajudaram a redefinir sua visão sobre sucesso, carreira e propósito.
“A maternidade mudou completamente a minha perspectiva sobre tudo. Ela me ensinou sobre prioridades, sobre resiliência e sobre a importância de estar presente”, ressaltou.
Em entrevista à Glowmag, Giselle fala sobre a construção de personagens complexos, a influência da Psicologia em seu processo criativo e a emoção de dividir a cena com o filho, Nicolas Prattes, no cinema. A atriz também relembra sua relação com os palcos, comenta os desafios de interpretar uma figura histórica cercada por julgamentos e revela quais histórias ainda deseja contar nos próximos capítulos de sua carreira.
Leia a entrevista na íntegra a seguir.

GLOWMAG - Você começou no teatro ainda na infância e foi a primeira artista da família. Em que momento percebeu que a arte deixaria de ser apenas uma vocação para se tornar um projeto de vida?
GISELLE PRATTES - Acho que essa percepção foi acontecendo aos poucos. Desde muito pequena eu sentia uma conexão muito forte com o palco, mas durante muito tempo a arte era apenas algo que me fazia feliz. Quando comecei a entender a disciplina que a profissão exige, a estudar, a me dedicar e a perceber que não conseguia me imaginar fazendo outra coisa, entendi que não era apenas uma paixão, era realmente o caminho que eu queria seguir. A arte passou a fazer parte da minha identidade e das minhas escolhas de vida.
GM - A maternidade chegou muito cedo e se tornou parte importante da sua trajetória. De que forma essa experiência influenciou sua visão sobre carreira e sobre o significado do sucesso?
GP - A maternidade mudou completamente a minha perspectiva sobre tudo. Quando você se torna mãe, especialmente muito jovem, passa a olhar para o futuro com mais responsabilidade e propósito. Ela me ensinou sobre prioridades, sobre resiliência e sobre a importância de estar presente. Hoje, sucesso para mim não está apenas ligado às conquistas profissionais, mas também à possibilidade de construir uma vida equilibrada, com afeto, propósito e relações verdadeiras.
GM - Depois de construir uma trajetória sólida no teatro e na música, o que representou para você a transição para o audiovisual?
GP - Foi uma experiência muito enriquecedora. O teatro me deu uma base sólida de interpretação, presença e escuta, mas o audiovisual tem uma linguagem própria, muito mais íntima em alguns aspectos. Foi um processo de adaptação e aprendizado constante. Gosto muito de poder transitar entre essas linguagens porque cada uma me desafia de uma forma diferente e amplia meu olhar como atriz.
GM - Camilla Parker Bowles é uma personagem cercada por opiniões e julgamentos públicos. Como foi o processo de encontrar a humanidade por trás dessa figura tão conhecida em “Diana – A Princesa do Povo”?
GP - Esse foi justamente o aspecto que mais me interessou. Quando interpretamos uma pessoa tão conhecida, é muito fácil cair nas versões já estabelecidas pelo imaginário coletivo. O meu trabalho foi tentar compreender a mulher por trás das manchetes e dos julgamentos. Busquei entender seus conflitos, suas escolhas, suas fragilidades e suas contradições. Acho que todo personagem ganha força quando conseguimos olhar para ele com empatia, sem a necessidade de defender ou condenar.
GM - Ao longo dos anos, você conciliou diferentes áreas, incluindo a Psicologia. De que maneira essa formação contribui para a construção dos seus personagens?
GP - Contribui muito. A Psicologia me oferece ferramentas importantes para observar o comportamento humano e compreender motivações, emoções e relações. Isso acaba sendo extremamente útil na construção de personagens, porque me ajuda a olhar além da superfície. Cada personagem tem uma história, desejos, medos e mecanismos próprios, e essa formação amplia minha capacidade de investigar essas camadas.

GM - Dividir a cena com seu filho em “Minha Vida com Shurastey” trouxe um significado especial para você? Como foi viver esse encontro entre arte e família diante das câmeras?
GP - Foi uma experiência muito emocionante. Como mãe, existe uma felicidade enorme em acompanhar o crescimento e o desenvolvimento artístico de um filho. Poder compartilhar esse momento dentro de um projeto tão especial tornou tudo ainda mais significativo. Foi uma mistura de orgulho, emoção e gratidão. Ao mesmo tempo em que estávamos trabalhando, também estávamos construindo uma memória que vamos levar para a vida inteira.
GM - Hoje, em uma fase de consolidação da carreira, quais histórias e personagens você ainda sonha em interpretar e que caminhos deseja explorar nos próximos anos?
GP - Tenho muita curiosidade por personagens femininas complexas, que desafiem expectativas e tragam discussões relevantes. Gosto de histórias que revelam as contradições humanas e que permitam diferentes camadas de interpretação. Também desejo continuar transitando entre teatro, audiovisual e música, explorando novas possibilidades criativas. Neste momento da vida, o que mais me interessa são projetos que tenham significado, que me provoquem artisticamente e que me permitam continuar aprendendo.



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