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Skincare coreano: dermatologista alerta para riscos na pele brasileira

Foto do escritor: Raphaela Cunha
Raphaela Cunha
27 de jul.
3 min de leitura

Da "glass skin" aos cosméticos virais, a K-Beauty tem conquistado os brasileiros; no entanto, fatores como clima, exposição solar e miscigenação tornam a pele brasileira muito diferente da coreana e exigem cuidados personalizados

 

Dermatologista explica se skincare coreano vale - Foto: Wix
Dermatologista explica se skincare coreano vale - Foto: Wix

A busca pela chamada glass skin, expressão usada para descrever uma pele extremamente luminosa, uniforme e viçosa, ultrapassou as fronteiras da Coreia do Sul e conquistou milhões de consumidores ao redor do mundo. No Brasil, a popularização dos doramas, da música pop coreana e das redes sociais impulsionou o interesse pelos cosméticos asiáticos e pelas famosas rotinas de skincare com múltiplas etapas. Séruns, essências, tônicos, máscaras faciais e ingredientes como centella asiática, mucina de caracol e arroz fermentado passaram a ocupar espaço nas prateleiras e nos carrinhos de compra dos brasileiros.

 

Para a dermatologista Carla Vidal, reproduzir uma rotina de skincare desenvolvida para outra população e em condições climáticas diferentes nem sempre é a melhor estratégia para manter a pele saudável. "Os cosméticos coreanos têm tecnologia, pesquisa e ingredientes muito interessantes. O problema não está na origem dos produtos, mas na ideia de que existe uma rotina universal capaz de funcionar para todas as pessoas. A pele é um órgão vivo e precisa ser tratada de forma individualizada", explica.

 

Embora a tendência da K-Beauty tenha ganhado força nas redes sociais, as condições às quais a pele brasileira está exposta são bastante diferentes das encontradas na Coreia do Sul. Enquanto grande parte do território brasileiro apresenta temperaturas elevadas, alta umidade e índices intensos de radiação ultravioleta durante boa parte do ano, a Coreia possui estações bem definidas, com invernos rigorosos e menor incidência solar em diversos períodos. Essas diferenças interferem diretamente na produção de oleosidade, na hidratação natural da pele e na necessidade de proteção contra os danos causados pelo sol. "No Brasil, convivemos com uma exposição solar muito mais intensa. Isso influencia o envelhecimento precoce, o aparecimento de manchas e até o comportamento de doenças dermatológicas. Uma rotina pensada para um clima completamente diferente pode não atender às necessidades da nossa pele", afirma Carla.

 

Outro ponto importante é a própria composição da população brasileira. Fruto de uma intensa miscigenação, o Brasil reúne uma enorme variedade de fototipos e características cutâneas, o que exige abordagens individualizadas. "Peles mais oleosas, peles negras, peles sensíveis, pessoas com tendência ao melasma, acne ou rosácea têm necessidades específicas. Não existe uma rotina pronta que funcione igualmente para todos. A avaliação dermatológica continua sendo indispensável", destaca a dermatologista.


Skincare coreano: dermatologista alerta para riscos na pele brasileira - Foto: Wix
Skincare coreano: dermatologista alerta para riscos na pele brasileira - Foto: Wix

 

Segundo a profissional, seguir recomendações baseadas apenas em vídeos curtos nas redes sociais pode levar ao uso inadequado de ativos, ao excesso de produtos e até ao comprometimento da barreira cutânea, camada responsável por proteger a pele contra agressões externas e evitar a perda excessiva de água.

 

As tradicionais rotinas coreanas, que chegaram a popularizar protocolos com até dez etapas de cuidados, também merecem uma análise crítica. Para a dermatologista, quantidade não é sinônimo de eficácia. "Vejo pacientes que utilizam diversos ativos ao mesmo tempo porque acreditam que isso vai acelerar os resultados. Na prática, o excesso pode causar irritação, sensibilização, descamação e até piorar quadros como acne e rosácea. Em dermatologia, muitas vezes, menos é mais", explica.

 

Isso não significa que os populares da K-Beauty devam ser evitados. Ingredientes como centella asiática, ceramidas, pantenol, niacinamida e ácido hialurônico podem trazer benefícios importantes quando indicados para o perfil correto de paciente. O diferencial está na escolha adequada da formulação e na combinação dos produtos, sempre considerando as características individuais da pele.

 

Para Carla, a influência da beleza coreana trouxe um aspecto positivo: fez mais pessoas se interessarem pelo cuidado diário com a pele. No entanto, esse interesse precisa ser acompanhado de informação de qualidade. "As tendências podem ser uma porta de entrada para o autocuidado, mas não substituem o conhecimento científico. O objetivo não deve ser reproduzir uma rotina que viralizou na internet, e sim construir um tratamento compatível com a realidade da sua pele", diz.

 

A médica reforça que a rotina ideal nem sempre é a mais longa, cara ou a mais popular nas redes sociais. É aquela que respeita fatores como idade, histórico clínico, tipo de pele, estilo de vida e condições ambientais. "A dermatologia não é contra tendências. Ela é a favor da individualidade. A melhor rotina de skincare não é a que viraliza nas redes sociais, mas a que respeita a biologia da sua pele", finaliza.

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