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Slow travel: Motorhome desacelera a vida urbana e cria modelo turístico

  • Foto do escritor: Raphaela Cunha
    Raphaela Cunha
  • 13 de nov. de 2025
  • 2 min de leitura
"Casa sobre rodas" estimula a consciência ambiental e descentraliza o lazer para rotas regionais, transformando nicho em estilo de vida - Foto: Freepik
"Casa sobre rodas" estimula a consciência ambiental e descentraliza o lazer para rotas regionais, transformando nicho em estilo de vida - Foto: Freepik

O turismo de motorhome no Brasil está em ascensão, e a novidade não é apenas sobre o mercado, que gerou R$500 milhões em negócios na Expomotorhome 2024, com crescimento de 25%, mas sobre uma mudança na forma de viajar. A “casa sobre rodas” promove o que especialistas chamam de slow travel - viagem lenta, uma filosofia que valoriza o percurso e a experiência autêntica.

 

"Mais do que uma tendência de consumo, o motorhome representa uma nova forma de pensar o ato de viajar. Ele estimula a autonomia, o respeito ao meio ambiente e o senso de comunidade entre os viajantes. Muitas pessoas relatam que, ao adotar esse estilo de vida, começaram a enxergar o turismo de forma mais consciente", explica Tércio Pereira, professor do curso de Turismo da UNIASSELVI.

 

Segundo Pereira, esse movimento reflete um desejo profundo dos brasileiros de se reconectar com o essencial. "O motorhome permite experimentar uma lógica de tempo diferente, menos acelerada e mais voltada para a contemplação. O prazer está no percurso, não apenas na chegada. É uma forma de descentralizar a vida urbana", analisa.

 

Oportunidades e desafios da estrutura

Motorhome no Brasil está em ascensão - Foto: Freepix
Motorhome no Brasil está em ascensão - Foto: Freepix

 

Apesar do entusiasmo, o segmento enfrenta o desafio de padronizar a infraestrutura de apoio. Embora existam milhares de campings e pontos mapeados, a qualidade e a distribuição geográfica de serviços essenciais, como segurança, internet e descarte de resíduos, ainda são heterogêneas no país.

 

Além disso, a legislação brasileira, embora contemple tecnicamente o veículo - a Resolução CONTRAN 743/2018 é um exemplo -, ainda há lacunas práticas. "Embora o arcabouço legal exista, o ambiente prático ainda convive com lacunas e burocracias, especialmente na regulamentação de áreas de pernoite e estacionamento de longa duração, que variam muito entre municípios", alerta Tércio.

 

Por outro lado, o ecossistema do motorhome gerou uma série de novas oportunidades de negócio: venda, locação e compartilhamento (peer-to-peer) do veículo, serviços de manutenção e retrofit especializado, e plataformas de curadoria de roteiros temáticos.

 

Potencial do Brasil no turismo itinerante

"Mais do que uma tendência de consumo, o motorhome representa uma nova forma de pensar o ato de viajar" - Foto: Freepix
"Mais do que uma tendência de consumo, o motorhome representa uma nova forma de pensar o ato de viajar" - Foto: Freepix

 

Para o especialista, o futuro do Home Motorhome está na integração regional. "O Brasil tem uma diversidade geográfica e cultural que favorece a criação de circuitos que unem natureza, cultura e gastronomia," destaca.

 

Regiões como Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Minas Gerais já apresentam iniciativas que conectam vinícolas, vilas históricas e parques nacionais, ampliando o interesse. "Com investimento adequado em infraestrutura, padronização e divulgação, o turismo de motorhome pode se consolidar como parte importante da economia e da identidade turística brasileira, valorizando o ritmo das pequenas cidades e o contato com os moradores locais", conclui o professor.

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