Toda convocação tem bastidores
- Isabella Cunha

- há 7 dias
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Em meio aos burburinhos para a convocação da Copa do Mundo, surgiu na minha linha do tempo um vídeo compartilhando o momento da convocação do zagueiro cabo-verdiano Stopira. É a primeira Copa do Mundo de Cabo Verde e o jogador de 37 anos, que joga no Torreense, da segunda divisão de Portugal, é o primeiro a ser convocado enquanto integrante deste time.
A emoção fica ainda mais intensa quando a gente vê o apoio recebido por seus colegas de clube. A explosão de alegria no vestiário era um misto entre felicidade pela conquista e reconhecimento pela trajetória. Caso não tenha acompanhado, assista logo abaixo.
Talvez o que mais falte nos ambientes profissionais não seja talento, mas a capacidade de celebrar o sucesso de quem trabalha com a gente
O que acontece nos bastidores antes de alguém chegar à reta final e como escolhemos reagir ao sucesso das outras pessoas diz muito, muito mesmo, sobre nós. Voltando à cena da convocação, mais bonito que o resultado em si, era o fato de ninguém ali parecer ameaçado pelo sucesso dele.
É uma dádiva fazer amizades no trabalho, mas o mínimo necessário para a existência de um ambiente corporativo saudável é o respeito entre os pares. Para isso acontecer, as pessoas precisam entender que o brilho do outro não diminui o próprio caminho; que o aperto de mão após a conquista de meta não quebra ossos; que ser gentil não é demonstração de fraqueza.
Existe uma trajetória silenciosa por trás de cada conquista e talvez seja por isso que algumas comemorações emocionem tanto: quem acompanhou os bastidores entende que nenhuma convocação acontece de repente. No fim, amadurecer está ligado a aprender a aplaudir, de forma genuína, a chegada de alguém à reta final sem transformar o sucesso do outro em ameaça ao próprio caminho.


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